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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Quanto vale a palavra dos políticos burgueses?

Recebemos da  Direcção da APSPBA, com data de dia 10 de Outubro, mas só agora chegado às nossa mãos, o seguinte comunicado, endereçado aos partidos políticos, que passamos a transcrever na ìntegra:
 
Ao cuidado dos Partidos Políticos,

A Direcção da Associação de Moradores do Bairro do Aleixo, atendendo ao teor da reportagem sobre este bairro, publicada na Revista Porto Sempre, edição n.º 20, sob o titulo «Bairro do Aleixo: estado do sítio», elaborou o seguinte comunicado:



COMUNICADO

Na edição n.º 20 da Revista Porto Sempre, da responsabilidade da Câmara Municipal do Porto, o Presidente Rui Rio, usando o bairro do Aleixo, vitimiza-se perante os portuenses e aproveita dinheiros públicos para iniciar a campanha eleitoral.
Será que a situação do bairro do Aleixo é culpa apenas dos moradores?
Será que o senhorio não tem nenhuma responsabilidade?
O actual Presidente da Câmara do Porto, desde que assumiu funções, em 2002, acabou no Aleixo com todos os projectos que existiam que combatiam os problemas sociais. Acabou com projecto de zelação dos espaços comuns, com o Projecto Integrado do Bairro do Aleixo, com a limpeza, com a Escola primária, com os apoios às instituições locais, mas entretanto aumentou exponencialmente as rendas aos moradores.
Nesta reportagem a autarquia utiliza as piores imagens, omitindo os aspectos positivos do bairro. O enfoque da reportagem é essencialmente negativo. Aproveita assim para lançar a campanha eleitoral, rebaixa o bairro e os seus moradores, acusa os juízes, sugere que é neles em que devemos votar! Ora, pelo que se vê, em quem devemos votar é nas imobiliárias, pois é à custa delas, como diz o Dr. Paulo Morais, que as Câmaras se financiam e os presidentes se perpetuam no poder! 
Já que não temos políticos confiáveis, nas próximas eleições, vamos votar nas imobiliárias e não nos juízes, porque esses apenas cumprem o seu papel!
Será que os moradores do Aleixo não podem defender os seus direitos?
Se há moradores que querem sair, a Câmara deve atender esses casos. Mas as pessoas que querem ficar no Bairro, também têm direitos e fazem-nos valer junto dos tribunais.
Os moradores do Aleixo já vieram da Ribeira onde foram explorados, e mais uma vez, à custa do seu sacrifício, querem fazer negócio com o terreno deste bairro que vale milhões.
Mas, pior do que isso, o Presidente da Câmara do Porto desrespeita as promessas assumidas com os moradores do Aleixo. Compromissos passados a escrito e assinados em papel timbrado, depois de penhorada a própria palavra, por mais do que uma vez.
Afinal, quanto vale a palavra de um político? Quanto vale um documento escrito assinado pelo próprio? Se essas cartas não têm valor legal (a ver vamos!), pelo menos devem ter valor político!
Ainda no passado Domingo, num artigo escrito pelo próprio Dr. Rui Rio, publicado no Jornal de Notícias, este afirmou que «no tempo em que os homens tinham honra, um simples aperto de mão era o suficiente para selar um acordo. Hoje, nem a assinatura de um ministro, na presença do primeiro-ministro.»
De facto, razões de queixa têm os moradores do Aleixo. Acreditaram na palavra do Dr. Rui Rio, fizeram fé no documento escrito que lhes foi enviado, no qual, categoricamente, afirmava que «não haverá quaisquer alterações, nomeadamente demolições no Bairro do Aleixo, contra a vontade dos seus moradores.»
Como este bairro, existem muitos outros, alguns em pior estado, mas como não existem interesses imobiliários não se falam neles. Apesar de todos os males, aqui ainda não há casos de pedofilia, de racismo, pelo contrário, as pessoas ajudam-se umas às outras, ajudam os idosos, os doentes, os acamados, os deficientes, etc. Aqui, apesar de todos os males, ainda existe uma comunidade unida. E se não estão tão unidos, é por culpa do Presidente que os descrimina de todas as formas e feitios, não olhando a meios. Se ainda não houve conflitos mais graves é porque a nossa Associação faz o seu papel nesta comunidade. É graças à nossa acção. 
Numa comunidade de 1500 pessoas, onde no passado existiam à volta de 50 toxicodependentes, actualmente nem 5 existem. Os que aqui estão vêm de fora, escorraçados de outros bairros. É o que vai acontecer no futuro com a demolição deste bairro. Os problemas serão transferidos para outros bairros, para outras zonas da cidade.
Não há dinheiro para o essencial, não há dinheiro para o apoio social, mas há dinheiro para gastar em empresas de advogados, em corridas de automóveis, nos aviões, quando há tanta pobreza na cidade.
Daqui para a frente, nas próximas eleições, vamos ver os políticos que estão ao lado do Povo. Não temos dúvidas que hoje era preciso um novo 25 de Abril, mas desta vez a sério.
Agradecíamos que os nossos governantes, o Presidente da República, aqueles que fizeram a Revolução de Abril, chamassem à atenção destas mentiras pois cada vez o Povo acredita menos nos políticos. O Presidente da República, nas comemorações do 5 de Outubro, apelou ao povo para que se ajudasse uns aos outros. Mas como podemos fazê-lo perante tanta discriminação, desemprego e exclusão?

Atentamente,

A Direcção da APSPBA
publicado por portopctp às 18:51
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