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Sábado, 16 de Junho de 2007

Interesses imobiliários ditam encerramento da escola do Aleixo

 

Recebemos da Associação de Promoção Social da População do Bairro do Aleixo, o seguinte comunicado da Direcção aos órgãos de comunicação social, que transcrevemos conforme  recebemos:

 

COMUNICADO

INTERESSES IMOBILIÁRIOS DITAM ENCERRAMENTO DA ESCOLA DO ALEIXO

Contrariamente àquilo que é hoje noticiado, o que verdadeiramente dita o encerramento da escola básica do 1º ciclo do Aleixo é os interesses imobiliários e não o bem-estar das criancinhas, como afirma em tom paternalista o Vereador Vladimiro Feliz.

De facto, se a Câmara Municipal do Porto estivesse realmente interessada com as crianças do Aleixo desenvolveria no nosso bairro medidas concretas de promoção social deste grupo etário e não destruiria, como destruiu, anos e anos de investimento público.

De facto, é à inacção da Câmara Municipal do Porto que se deve o encerramento da sala de jovens do bairro. É ao desinvestimento da autarquia que se deve o estado de degradação em que se encontra o mini-ginásio e o parque desportivo do Aleixo. A edilidade portuense, nos últimos anos, praticamente desde 2002, não gasta um cêntimo com as crianças, adolescentes e jovens do Aleixo. A Câmara Municipal do Porto não promove neste bairro (e em nenhum outro) qualquer tipo de politica social destinada a estes grupos e nega sistematicamente apoio financeiro à nossa instituição, único organismo que possuiu no Aleixo equipamentos sociais destinados à infância.

Por essa razão, as palavras bem intencionadas do senhor Vereador soam a falso…

A verdadeira razão que dita o encerramento da escola é, pois, os interesses imobiliários!

Senão vejamos:

Na campanha eleitoral das eleições autárquicas de 2001, o candidato Rui Rio era contra a demolição do bairro do Aleixo. Foi, aliás, um dos que mais se opôs a esse objectivo. Mas, fê-lo porque jamais imaginaria que sairia vencedor nessas eleições.

Contudo, depois de eleito, não ficava bem dar o dito por não dito e mandou o Vice-Presidente, Paulo Morais, passar a escrito o compromisso pré-eleitoral.

Após nova vitória, em 2005, o discurso alterou-se. Hoje, o Presidente da Câmara Municipal do Porto diz que terá uma solução definitiva para o Aleixo até ao final do seu mandato, não pondo de lado uma eventual demolição(sabemos, inclusive, a este respeito, que a Faculdade de Engenharia do Porto
se encontra a realizar um estudo técnico sobre o nosso bairro).

Entretanto, deu indicações aos seus peões para retomarem o tema da demolição do Aleixo, como se tratando de um facto inevitável. O Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro, que também era contra a demolição do Aleixo (até 2005), fiel à voz do dono, diz agora que defende a reconversão (eufemismo para demolição) do Aleixo, que se vai empenhar pessoalmente nesta missão e aponta a reconversão de S. João de Deus como o modelo a seguir, o que nos tranquiliza, sobretudo sabendo como sabemos a forma como esse processo foi conduzido.

Nesse sentido, a Escola do Aleixo aparece como um entrave aos propósitos do Executivo autárquico. O desaparecimento da escola do bairro significará maior valor para os terrenos do nosso bairro, maior capacidade construtiva e, logo, melhor capacidade negocial para a autarquia, que pensando sempre com a máquina de calcular na mão, vê assim uma excelente oportunidade de negócio.

O desejo de encerrar a escola do Aleixo não é novo. Já foi sugerido anteriormente, na altura pelo vereador Paulo Cutileiro. Contudo, a sensatez de quem na altura dirigia a Direcção Regional de Educação do Norte negou esses anseios e a escola resistiu. Resistiu nessa altura, em 2004, quando o director Regional de Educação do Norte era o Eng. Lino Ferreira, nomeado pelo PSD, e actualmente vereador do Urbanismo no Executivo autárquico portuense, que não soçobrou perante a intenção dos seus amigos e colegas de partido. Resistiu em 2005, quando o Ministério da Educação fechou em todo o país, com particular incidência no norte, cerca de 900 escolas primárias. Resistirá, agora, quando as razões invocadas, os argumentos apresentados, são demasiadamente frágeis.

1º) Já em 2004 a Câmara Municipal do Porto defendeu deslocalizar as crianças do Aleixo para a escola das Condominhas e para a escola de Lordelo do Ouro. Se outras razões não existissem, o objectivo de distribuir as crianças do Aleixo por essas duas escolas era suficiente para fazer cair por terra o encerramento da escola, como aconteceu em 2004. A escola das Condominhas e a escola de Lordelo do Ouro não têm condições para receber as crianças do Aleixo. Em 2004, o vereador Paulo Cutileiro, reconhecendo isso mesmo, anunciou a realização de obras para acolher as nossas crianças, o que nunca se concretizou. Nestes dois últimos anos nada mudou. De tal forma, que o Centro da Área Educativa do Porto sugeriu em tempos, reconhecendo a inexistência de condições, a deslocação das crianças da escola do Aleixo para a Escola do 2º e 3º ciclo Dr. Leonardo de Coimbra. Ora, assim se vê, que a hipótese de deslocalizar as crianças é impraticável.

2º) Apontam-se os problemas sociais como justificação para o encerramento, como se nas escolas citadas, as crianças que as frequentam não fossem oriundas de bairros camarários onde os problemas existentes no Aleixo são precisamente os mesmos. Os problemas de exclusão social das crianças do Aleixo são os problemas de exclusão da escola das Condominhas, Lordelo, Pasteleira e outras da freguesia. Os problemas da escola do Aleixo são iguais aos problemas de todas as escolas do Agrupamento. Todas as escolas de Lordelo sofrem dos mesmos problemas, porque a população escolar é a mesma e o maior exemplo disso é a escola sede (a EB 2,3 Dr. Leonardo de Coimbra) onde esses tais problemas assumem níveis preocupantes.

3º) Por outro lado, este argumento é inaceitável por outra razão. Tiram-se as crianças do Aleixo durante o período de aulas, para as “salvar” dos tais problemas sociais, mas nada se faz nas restantes horas do dia quando estão em suas casas no bairro. É um paradoxo. É um enorme contra-senso, que reforça ainda mais as nossas suspeitas relativamente aos verdadeiros interesses por detrás do objectivo de encerrar a escola.

4º) As palavras do vereador da educação revelam também preconceito relativamente às tais criancinhas que a Câmara quer defender. Fala em vícios. Afirma que as crianças revelam «os vícios do bairro». Estas palavras levantam enormes dúvidas quanto aos reais intentos da autárquica e denotam racismo social.

5º) Afirma-se, também, que a escola do Aleixo «está a esvaziar-se por si. Os pais já colocam os filhos noutras escolas. Isto é um sinal» De facto, os números não mentem. O número de crianças tem diminuído e há pais que matriculam os filhos noutras escolas. Mas isso não é sinal! É a consequência lógica do desinvestimento autárquico nesta escola, que desde 2002 não investiu um cêntimo, forçando a degradação das condições escolares, isolando a escola. A autarquia encetou uma política de facto consumado o que levou alguns pais, perante tudo isto, a tomar a atitude que ninguém pode censurar. Transferiram os filhos. Mas, se a câmara investisse, se a câmara fizesse o que lhe compete, não haveria nenhum pai, mãe, tio ou avó do Aleixo que matriculasse o filho noutra escola. Por isso, sinal só se for dos propósitos mal intencionados da Câmara Municipal do Porto.

6º) Refere-se, ainda, que a Junta de Freguesia e o Agrupamento de Escolas é favorável à decisão da Câmara. Quanto à Junta de Freguesia percebe-se inteiramente a sua posição. Já explicamos as razões que colocam o Presidente da Junta de Freguesia ao lado da Câmara. O Presidente da Junta de Freguesia sabe que retirar este equipamento vital do Aleixo é uma machada enorme no bairro e conduzirá à sua demolição. Quanto à posição do Agrupamento, lamentamos que os interesses políticos se sobreponham ao interesse das crianças. O Agrupamento sabe, tão bem quanto nós, que a solução apontada é leviana. O Agrupamento sabe que os problemas da escola do Aleixo são iguais aos problemas de todas as escolas do Agrupamento. Todas as escolas de Lordelo sofrem dos mesmos problemas, porque a população escolar é a mesma. Mas, para quem já defendeu que as crianças do Aleixo fossem transferidas para a escola sede do agrupamento (EB 2,3 Dr. Leonardo de Coimbra), onde existem tantos problemas de violência e indisciplina, já nada estranhamos.

Por último, além de tudo o que já afirmamos, não podemos esquecer que a consequência imediata do encerramento da escola do Aleixo será o agravamento do abandono escolar.

Além de que, se este proposta se concretizar, as Escolas das Condominhas e de Lordelo do Ouro ficarão sobrelotadas, o que provocará o agravamento dos problemas de indisciplina, violência e insucesso que marcam o quotidiano dessas escolas quando o caminho a seguir deveria ser precisamente o oposto. Aumentar o número de alunos por turma, aumentar o número de alunos por escola não ajudará a resolver nenhum problema, pelo contrário. Perante os problemas existentes, seria de supor, seria desejável, que as turmas tivessem poucos alunos, pois as dificuldades de aprendizagem, o insucesso escolar, requer métodos de ensino individualizado e nada disso é conseguido com processos de ensino massificados. Este é o cerne do problema.

Por essa razão, depositamos enorme esperança na decisão final que competirá à Direcção Regional de Educação do Norte. Estamos certos que a DREN não será leviana nem irá embarcar nos jogos perversos da autarquia e estará interessada em ouvir a opinião dos moradores, pois mais uma vez a Câmara Municipal do Porto decidiu nas costas dos principais interessados.

 

 

 

publicado por portopctp às 19:25
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