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Domingo, 10 de Junho de 2007

Rhode, sem luta não há vitória!

 

A ameaça de despedimento continua a pairar sobre os trabalhadores da fábrica de calçado Rohde, em Santa Maria da Feira. Os salários do mês passado já foram pagos mas foi preciso que os trabalhadores bloqueassem a saída de mercadorias para obterem a garantia de que as receitas resultantes das encomendas produzidas em Portugal não fossem desviadas para a empresa-mãe na Alemanha, a braços com uma insolvência, servindo prioritariamente para pagamento dos salários aos trabalhadores e não para outras finalidades.

Depois da utilização sistemática de lay-outs de duvidosa legalidade, depois da promessa manutenção dos postos de trabalho caso os objectivos de produção viessem a ser atingidos, depois de alterarem esses objectivos de produção para níveis dificilmente alcançáveis, depois dos processos disciplinares por esses níveis não terem sido atingidos por alguns trabalhadores, surge agora uma nova proposta da administração aos trabalhadores: que efectuem excepcionalmente trabalho extra, sem que o mesmo seja pago, tudo para garantir apenas o pagamento dos respectivos salários. Este “pedido” não estará desligado do boato de que a empresa seria “deslocalizada” para a China. É a palavra de ordem do ministro da economia a ser posta em prática: nós portugueses trabalhamos barato, de tal maneira barato, que é uma vantagem competitiva para o investimento em Portugal de empresários chineses.

Está prometido para este mês a conclusão das negociações relativas ao processo de insolvência da casa-mãe. As notícias dão conta de que a empresa será tomada por um grupo de investidores e que não abrirá falência. A única dúvida parece residir na continuação da fábrica da Feira. Mas torna-se notado, com a sequência de propostas da actual administração, que o custo dessa continuação é um abaixamento do preço horário da força de trabalho para valores só em prática em países da Ásia e da África. E isso não é aceitável.

Por isso a bandeira dos trabalhadores da Rhode só poderá ser a da unidade com todos os outros trabalhadores, principalmente com aqueles que estão ameaçados de desemprego. A exigência do pagamento, pelo estado, do valor integral do salário por todo o tempo em que os trabalhadores se encontrem desempregados é um primeiro passo que deve ser dado, nomeadamente para os que são vítimas das “deslocalizações” ou da obsolescência tecnológica das indústrias onde estão empregados. É um passo sem dúvida difícil porque encontrará todo o tipo de detractores. Mas alguém tem de tomar a iniciativa. Melhor colocados do que os trabalhadores da Rhode, poucos, dos outros trabalhadores, estarão. A dimensão dá força. 1300 trabalhadores não são 20 ou 30. Poderão e deverão unir a si os trabalhadores de outras empresas na mesma situação e, por isso, com essa mesma reivindicação.

Caso tal reivindicação obtenha êxito transformará para melhor as condições em que todos os trabalhadores oferecem a sua força de trabalho. Trata-se de uma questão política, ou seja de consubstanciação de uma relação de forças existente na sociedade. Mas para isso é necessário que as partes revelem a sua força. É o temor da força dos operários que obriga os políticos burgueses, através dos seus agentes conscientes ou não, a tudo fazerem para espalhar a ideia entre os trabalhadores de que a "política não interessa" ou de que "a minha política é o trabalho" e de que "a política é para os políticos". Com isso esperam conseguir afastar os operários da política para ficarem com as mãos livres para prosseguirem a sua própria política que, não é preciso estar muito atento para perceber, leva a uma cada vez maior miséria dos trabalhadores. Eis uma razão para que essas ideias sejam recusadas.


OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

PAGAMENTO DO VALOR DO SALÁRIO POR TODO O TEMPO EM QUE O TRABALHADOR SE ENCONTRE DESEMPREGADO!

O POVO VENCERÁ!

publicado por portopctp às 19:47
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1 comentário:
De portopctp a 10 de Junho de 2007 às 20:24
Também este artigo tem por base artigo enviado pelo camarada P. Veríssimo, que iniciou a sua colaboração com este blogue.

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