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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

MORADORES CONTRA "SALA DE CHUTO" NO BAIRRO DO ALEIXO!

Da APSPBA recebemos no passado dia 28 de Dezembro comunicado contra a localização de "sala de chuto" junto à escola primária, que passamos a transcrever na íntegra:

 
A Direcção da APSPBA reafirma, inequivocamente, que os moradores legalmente representados por esta Associação são contra a instalação de "salas de chuto" no bairro do Aleixo, pelas razões que passamos a expor.

Assistimos, com preocupação, à situação degradante em que muitos jovens toxicodependentes habitam os terrenos baldios junto à escola primária.

Sabemos que o número de jovens nessas circunstâncias não pára de aumentar. Concordamos com o cenário traçado. Estamos, na verdade, perante uma situação caótica do ponto de vista social e humano e há muito que exigimos uma solução para este gravíssimo problema...

MAS, consideramos que a instalação de uma sala de injecção assistida no Aleixo apenas servirá para agravar a guetização do bairro, para excluir ainda mais a população residente e para incentivar o consumo de estupefacientes.

De facto, a instalação de um espaço de injecção asséptica neste bairro irá guetizar, degradar e excluir ainda mais esta comunidade, porquanto a criação dessa sala servirá para institucionalizar o consumo de estupefacientes e, até mesmo, para incentivá-lo. A promoção de melhores condições para o consumo será um convite para que outros jovens, que padecem deste grave problema, se instalem também no nosso bairro.

A instalação dessa sala aqui, no Aleixo, criará condições facilitadoras ao consumo o que vai agravar, inevitavelmente, a situação que actualmente se vive, daí a nossa posição. Somos contra a instalação desse espaço no nosso bairro, porque sabemos que tudo isso apenas irá servir para piorar a imagem negativa que o bairro do Aleixo granjeia junto da opinião publica, justificando assim outras iniciativas como aquelas que defendem a demolição do Aleixo como única e possível solução para todos os problemas existentes.

A questão da demolição está implícita, também, neste assunto, sobretudo quando ainda recentemente alguns "peões" já deram mostras que tudo farão até conseguirem o desmantelamento do bairro do Aleixo.

Nos últimos anos, a Câmara Municipal do Porto abandonou este bairro, e essa atitude, que radica no desejo de levar os problemas do Aleixo a uma situação insustentável, que apenas se resolverá pela demolição, ajuda-nos a compreender a situação dos jovens toxicodependentes que acampam nos terrenos baldios. Apenas a inércia da autarquia justifica este estado actual.

Além do mais, não compreendemos, nem aceitamos, o argumento utilizado que somente a instalação de uma sala de injecção assistida permitirá a prevenção e controlo da difusão de doenças e o encaminhamento dos toxicodependentes para unidades de tratamento e reabilitação.

Aliás, pensávamos que o programa já em curso no terreno, e que passa pela troca de seringas, da responsabilidade da Associação Norte Vida, servisse para isso mesmo. Pelo menos, ele assim foi apresentado e é nestes pressupostos, segundo julgamos saber, que é financiado pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT).

Pensávamos, inclusive, que o Programa Porto Feliz, da responsabilidade de autarquia portuense, igualmente financiado pelo IDT, servisse exactamente para atender ao problema destes jovens.

Mas, afinal, nem um - programa da troca de seringas -, nem outro - Programa Porto Feliz -, tem como objectivo a prevenção e controlo da difusão de doenças e o encaminhamento dos toxicodependente para unidades de tratamento e reabilitação, sendo por isso necessário criar uma nova resposta para esse fim?!?!?!

Realmente, só assim se entende, como anteriormente dizíamos, que a Câmara Municipal do Porto não tenha feito nunca absolutamente nada perante as várias denúncias que sobre a situação dos jovens que habitam o terreno baldio do Aleixo fizemos repetidas vezes, a última das quais ainda no passado mês de Outubro.

A inércia da autarquia portuense perante as nossas denúncias justifica-se perante o total abandono a que este bairro se encontra votado, como já continuadamente afirmamos.

Por outro lado, não podemos igualmente esquecer, nem dissociar, que o problema que actualmente se vive no Aleixo, nos terrenos baldios, e que agora suscita a proposta avançada pela Associação Norte Vida em instalar a famigerada "sala de chuto", se deve às politicas sociais seguidas pela edilidade portuense na cidade e no bairro S. João de Deus.

A erradicação do fenómeno dos arrumadores e o desmantelamento daquele bairro não acabou com o problema dos toxicodependentes, apenas o atirou "para debaixo do tapete", apenas o afastou dos olhares do grande publico. Os jovens toxicodependentes que acampam nos terrenos baldios deste bairro, em condições degradantes, insalubres, desumanas, são os mesmos que foram escorraçados das ruas da cidade ou do bairro S. João de Deus.

Contudo, a Direcção da APSPBA considera que caso se avance para esta solução a sala de injecção assistida poderá ser instalada, por exemplo, no espaço que antes era o stand de vendas do empreendimento InfanteOceanos e que foi adaptado para receber uma esquadra de polícia ou que se utilize um dos muitos espaços comerciais aí existentes. Esses espaços estão vazios e encontram-se afastados do bairro e da escola primária.

Por último, afirmamos ainda que a inexistência de qualquer contacto com a nossa instituição, a inexistência de um convite para participarmos na reunião do passado dia 13 de Dezembro onde foi abordada esta questão e na qual estiverem presentes representantes da Associação Norte Vida (promotora da reunião), Governo Civil do Porto, Segurança Social, IDT, Câmara Municipal do Porto e outros organismo, constitui uma grave falta de respeito e consideração pela nossa instituição e pelos moradores do bairro.

Assim como, a existência do abaixo-assinado on-line, promovido por um conjunto não identificado de técnicos de saúde e intervenção social que desenvolvem a sua actividade no local, merece o nosso desagrado, porquanto não houve, uma vez mais, a preocupação de auscultar os moradores do bairro que, afinal de contas, são apenas as pessoas que aqui vivem.

Por isso, reafirmamos o nosso direito, enquanto moradores deste bairro, em decidir o que queremos para o Aleixo e, nessa medida, repudiamos todas as tentativas que nos excluem de participar nas decisões que nos querem impor.

Assim sendo, além deste comunicado, a Direcção da APSPBA dirigiu-se, por escrito, às entidades envolvidas nesta questão, no sentido de demonstrar o nosso desagrado por mais uma tentativa de ostracismo neste assunto tão importante, em claro desrespeito pelas mais elementares regras da sã convivência democrática e do respeito pelas instituições e pelos moradores do Aleixo.

A Direcção da APSPBA
 

publicado por portopctp às 17:50
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3 comentários:
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2007 às 11:39
m
De rui mateus a 6 de Fevereiro de 2007 às 15:25
Percebo a preocupação dos moradores do Bairro do Aleixo. Concordo que qualquer decisão que abrange esse bairro , os seus moradores devem ser ouvidos e envolvidos nas soluções. Mas , uma sala de assistência aos toxicodependentes , deve ser instalada em vários sítios do país, não somente em bairros problemáticos, como a burguesia quer faz. Locais como as chamadas salas de chuto, poderão ser locais de prevenção e de associação com os moradores do bairro, fazendo um levantamento exaustivo dos toxicodependentes do bairro e com isso tentar recuperá-los.
De portopctp a 6 de Fevereiro de 2007 às 17:01
Só posso concordar contigo. Todavia a posição dos moradores não é exactamente a de estar contra o princípio (como erradamente se pode concluir do título do comunicado) mas a de estar contra a localização concreta, ao pé de uma escola do ensino básico. Outras localizações próximas poderiam ter sido escolhidas, mas não, a opção foi a pior. O problema é sempre o mesmo: quando a burguesia resolve acolher uma reivindicação popular, como é o caso, envolve-a em veneno, para depois, mais tarde, vir a concluir que essa não é a solução. Desses exemplos estamos fartos no Porto (e também no resto do país). Daí a necessidade de opor outras soluções às soluções apresentadas. Não se trata de atirar para cima de outros a resolução dos problemas locais. Trata-se de encontrar uma melhor solução.

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